Arquivo para outubro 2008

Jar of flies

outubro 30, 2008

Venho sendo seguido pela ruas nestas últimas semanas. E estou ficando preocupado. Não há lugar que eu vá que não sinta uma presença incômoda por perto. Mas hoje as coisas chegaram a um ponto realmente grave.

Estava eu no quiosque em que trabalho quando um cliente chega fazendo perguntas. Começo a responder numa boa, tentando sanar todas as dúvidas dele. Eis que acontece o inesperado. Uma mosca ENTRA NA MINHA BOCA enquanto falo com o senhor. Numa questão de milisegundos, CUSPO A DITA CUJA no meio da conversa e continuo falando como se nada tivesse acontecido. E o cliente também continua ouvindo, sem mudar a expressão.

Toda essa história com toques de surrealismo foi só para tocar no assunto do verão: o ataque das moscas em Sydney. Elas não deixam ninguém em paz e a sorte grande é quando elas resolvem pousar na tua roupa, em vez de tentar entrar em qualquer ORIFÍCIO DA CARA. Apesar da empolgação com a melhor estação do ano se avizinhando, já estou torcendo para que as temperaturas caiam. Caso contrário, cogito seriamente COSTURAR A BOCA COM LINHA.

Minha primeira aula de surf

outubro 26, 2008

Ontem quando o nosso flatmate, Felix, tava indo surfar eu me convidei para ir com ele, me ofereci uma prancha velha que ele tem emprestada e ofereci a ele que fosse meu instrutor. Ele concordou com tudo empolgado e fomos para a praia. Por sorte eu tinha um maiô de natação que eu trouxe e que ainda não tinha saído da gaveta pra proteger a barriga, não ficar assada e nem pelada durante a aula. A prancha é uma long bord com uns 2,2m. Peguei na mão e até comentei, surpresa, que nem era tão pesada quanto eu imaginava.

Nossa casa fica a duas quadras da praia. O vento muito forte ficava jogando a prancha. Tive que fazer muito esforço pra ela não sair voando. Ao chegar na praia eu já tava achando ela pesada como chumbo. A aula que eu recebi foi a seguinte: “Tenta remar e fica depois da rebentação, só na espuminha. Quando tu pegar uma onda, tenta levantar. Acho que tu não vai conseguir hoje, mas tenta. Fui.”

Agora imaginem eu, com uma prancha gigantesca, uma ventania, o mar mexido pra caralho, uma onda colada na outra e todas muito, mas muito fortes. Foi ridículo, patético. As ondas levavam a prancha embora e eu ia junto, presa pelo leash. Consegui pegar umas poucas e, por sorte, não tinha ninguém no meu caminho, senão era atropelamento na certa. Ficar de pé eu nem tentei. Tava concentrada demais em não levar uma pranchada na cabeça.

Hoje eu acordei com os braços doendo e o pescoço duro, mas já combinei com o EGS que vamos tentar juntos na quinta. Tomara que o mar esteja mais calminho… E que eu recupere os movimentos do pescoço…

Você lembra da minha voz?

outubro 25, 2008

No meu intervalo de almoço, matando tempo pelo shopping, paro na porta de um loja de produtos de cabeleireiros e fico namorando as embalagens. Sem pensar em nada, só pra matar tempo e porque eu adoro um pote de shampoo.

Uma senhorita vem falar comigo e me ofercer ajuda. Tenho tempo, ela é simpática, deixo ela falar. Daí ela me assusta com a imagem de milhares partículas de plástico no meu cabelo, não deixando ele respirar e fazendo toda a oleosidade do couro cabeludo ficar emplastada. Tudo isso por causa do silicone usado em shampoos comuns. Ela me conduz pela loja e vai me fazendo perguntas e me dando explicações. Me oferece um shampoo, um condicionador e um leave-in. Promete que eles vão aumentar a espessura dos meus fios e que gradualmente vão remover o plástico até que, quando eu tiver usado uns 2/3 do pote, ele vai estar saudável.

Eu quase disse não obrigada, mas aí resolvi aceitar as dicas e comprar tudo. Se eu acredito em rótulo de shampoo, não vou acreditar em uma vendedora super simpática, informada e com um cabelo lindo e brilhoso? Só fiquei triste porque já tinha lavado o cabelo naquele dia e ia ter que esperar para estrear os produtos. Sou bem abobadinha: saí da loja feliz e satisfeita – e continuo assim depois de usar.

Vida Besta

outubro 22, 2008

10oC em Sydney. Diazinho… Chuva, vento. Saí de casacão de inverno e quase congelei esperando o ônibus. Agora estava tomando chazinho com cobertor de orelha e vendo filme embaixo do edredon. Diliça!

Ando bem sem novidades… Tô trabalhando em uma loja meio perto aqui de casa, por uns tempos. É da mesma empresa, só em outro lugar. A gerente e a assistente pediram demissão juntas e eles estão passando um sufoco para colocar alguém no lugar, então estão precisando de muitas mãos pra ajudar. Tá sendo massa! Trabalho sozinha direto e estou fazendo várias tarefas de gerente. Bastante trabalho, no entanto. Bom para recuperar as finanças do casal, que andou gastando viajando pelo mundo. Heh.

Infelizmente tive que voltar a “estudar”. E se eu achava a escola antiga ruim, a nova ultrapassa todos os limites da ruindade. Saí quase chorando de lá nos primeiros dias, não sei se de depressão ou de raiva. Um lugar sujo, fedorento, cheio de gente e eles mandavam as pessoas de um lado para o outro sem saber o quê fazer com os alunos. Uma professora extremamente estúpida somada à ausência completa de organização e planejamento. Enfim, agora já superei. Pelo menos ela é tão chinelona que eu não preciso muito fazer nada. Só tenho uns trabalhinhos para entregar. Se eu for lá uma vez por semana entregar o trabalho e pegar o próximo para fazer tá valendo, parece. Se for assim, tudo bem. Engulo e sigo. Foi por isso mesmo que mudei de escola, pra não precisar ir todo dia.

Ando sentindo falta de contato com a terrinha. Não tenho entrado no msn e nem escrito aqui. Vou ver se me pilho. Preguiça…

Finais de semana

outubro 15, 2008

Ah, os finais de semana. Curtimos tanto eles que nem nos damos ao trabalho de comentar o que fazemos. Como o churrasco de aniversário do Felix, o alemão que mora aqui em casa. Faz quase um mês, mas só agora subimos as fotos.

Em notícias mais recentes, fomos pra Blue Mountains nesse último fíndi, com o casal Márcia e Titanic e também o Lique (desculpem pela rima). Tava bem legal, e as fotos dizem mais do que qualquer enrolação minha por aqui.

No mais, começarei a trabalhar em dois lugares ao mesmo tempo, como já sabia que ia acontecer. É sempre assim, nunca pode aparecer só um emprego. Mas tudo bem, melhor um quero-quero na mão do que um magpie mordendo a minha cabeça (nenhum sentido). Assim que eu começar a trabalhar de verdade, contarei mais detalhes. Torçam por mim.

You’ve been AMWAYED!

outubro 1, 2008

Xalalá no 1: Telefone toca na loja no domingo de tarde. A cliente pergunta que horas a loja fecha naquele dia. Respondo que às 9h. Cliente comenta :”Poxa, que bom! Quer dizer, para os clientes, né? Não para quem está trabalhando…”

Xalalá no 2: Cliente na loja me chama pelo nome que lembrava da conversa no telefone. Puxa papo, conta da vida, pergunta da minha. Indecisa… Dou uma empurradinha em um sapato. Ela compra. Comenta de novo como deve ser ruim ter que trabalhar até tarde. Super simpática. Eu super simpática de volta.

Xalalá no 3: Um tempo depois ela liga de novo para a loja. Diz que gostou muito de mim e da forma como eu servi ela. Que está iniciando um negócio e está precisando de gente assim. Reforça que não tem um emprego para me oferecer, mas sim uma excelente oportunidade. Estou interessada? Meio desconfiada, mas não custa checar do que se trata. Marcou de vir até a minha casa. Mais desconfiada ainda dei o endereço e combinamos de tomar um café. Ela traria o namorado, sócio na empreitada e eu deveria levar o meu, para incluí-lo na imperdível oportunidade.

Xalalá no 4: Bateram na porta. Os dois vestindo terno. Chit chat no caminho até o café. Várias voltas no assunto e nada conclusivo. Uma super oportunidade de negócios. Muito dinheiro, muito fácil, qualidade de vida, não precisar mais trabalhar, tempo para usar em hobbies, família, viagens. Comprem aí esses ingressos para um evento semana que vem, em que a presença é pré-requisito pra entrar no negócio. Peraí um pouquinho, o que é o negócio mesmo? Bom, já você insiste em saber: BAM!!! YOU’VE BEEN AMWAYED!!!